DA PESTE ANTONINA AO COVID-19 : PANDEMIAS QUE MEXERAM COM O MUNDO

DA PESTE ANTONINA AO COVID-19 : PANDEMIAS QUE MEXERAM COM O MUNDO

30/04/2020
Alberto Reis

Desde que os seres humanos ocuparam o mundo, doenças também passaram a existir e se espalhar entre a sociedade. Apesar de surtos de determinadas doenças ocorrerem com frequência, apenas algumas chegam ao patamar de uma pandemia – como é o caso do novo coronavírus. 

Como a situação atual parece estar longe do fim, a doença mundial mais recente tem provocado milhares de mortes, mas ainda não há uma previsão de quantas perdas teremos ao término deste período. Por enquanto, ela não consiste na mais letal já vista na história. 

Para você conhecer quais foram as mais famosas e mortais pandemias que o mundo já viveu, esta coluna especial reuniu os principais exemplos vividos a nível global – desde a Peste Antonina até a Covid-19 – em dois formatos: um infográfico e o texto com a explicação de cada uma. Confira: 

Histórico de pandemias 

Infográfico mostra as pandemias mais mortais que o mundo já viveu  

Peste Antonina (165-180) – 5 milhões de mortes

Considerada a sétima pandemia mais mortal da história, a Peste Antonina tem relatos de surgimento no antigo Império Romano, com a volta de soldados que foram lutar no Oriente Médio.

Devido à falta de maiores relatos da época, não é possível saber com precisão as informações de sintomas e disseminação, mas existem teses que indicam ser varíola ou sarampo. A imprecisão não elimina o fato de ela ter sido uma das piores doenças que o mundo já viu, ao ter 5 milhões de vítimas fatais estipuladas – uma delas, inclusive, foi Marco Aurelio, irmão adotivo do imperador Lucio Vero.

Praga de Justiniano (541-542) – 30-50 milhões de mortes

Na capital do Império Bizantino, Constantinopla, ratos chegavam em barcos mercantes de várias outras localidades. Os animais tinham pulgas contaminadas, as quais passavam a infectar também os seres humanos.

A Praga de Justiniano foi a quarta maior da história, ao vitimar entre 30 e 50 milhões de pessoas. O próprio Imperador Justiniano I chegou a contrair a doença, mas conseguiu sobreviver. 

O Imperador Justiniano I chegou a sobreviver à pandemia que levou seu nome 


Epidemia de Varíola Japonesa (735-737) – 1 milhão de mortes

A civilização japonesa passou a expandir os seus produtos com práticas de intercâmbios com outras sociedades asiáticas. Em meio a esse contexto, no ano de 735, um pescador japonês contraiu a doença na Coreia e a levou até a cidade de Dazaifu.

A chamada Varíola Japonesa se espalhou com imensa velocidade entre a população local e gerou 1 milhão de mortes – o número representaria aproximadamente um terço das pessoas na ilha.

Peste Negra (1347-1351) – 200 milhões de mortes

Não é por um acaso que a peste bubônica desta época ficou tão famosa até os dias atuais. Ela ganhou o nome de “Peste Negra” e foi a maior pandemia já vista no mundo, em dois âmbitos: a mais mortal – 200 milhões de pessoas perderam a vida – e uma das mais duradouras – quatro anos.

O início do surto teria ocorrido na Ásia Central, com o transmissor também hospedado em pulgas presentes nos ratos. Por meio dos barcos de comerciantes, teria se espalhado pela Rota da Seda até alcançar a península de Crimeia – disputada atualmente por Rússia e Ucrânia – e, posteriormente, devastar todo o continente europeu.

Estima-se que entre 30% e 60% da população da Europa perdeu a vida devido à pandemia. O “Velho Continente” precisou de cerca de 200 anos para reestabelecer o seu nível habitacional.

A Peste Negra foi a pandemia que mais matou pessoas na história 

Varíola (1520) – 56 milhões de mortes

Considerada a segunda pandemia mais letal da humanidade, a Varíola teria causado 56 milhões de óbitos e devastou até 90% da população nativa do continente americano, segundo estimativas.

Ela foi trazida ao México pelos espanhóis e, devido ao fato de ser desconhecida ainda pelos moradores da América, teve efeito devastador. A doença, inclusive, é tida como fator determinante na queda do Império Azteca.

Foram 56 milhões de mortos na segunda maior pandemia do mundo, a Varíola 

Grandes Pestes do Século XVII (anos 1600) – 3 milhões de mortes

Esta categoria consiste nos vários surtos de peste bubônica ocorridos ao longo do século XVII. Foram diferentes epicentros conforme a época, com destaques para dois.

O principal deles ocorreu na Itália, entre 1629 e 1631, e vitimou 1 milhão de pessoas. Outro ocorreu na Inglaterra, mais especificamente em Londres, no ano de 1665, quando 100 mil indivíduos perderam a vida.

Grandes Pestes do Século XVIII (anos 1700) – 600 mil mortes 

Da mesma forma que a anterior, aqui consistem nas várias epidemias surgidas durante o século XVIII. Contudo, desta vez, já não havia mais relato de peste bubônica.

A doença mais marcante deste período foi a peste russa – ou peste de 1771. Ela teria vitimado uma quantidade de pessoas entre 52 mil e 100 mil somente em Moscou e reduziu um terço da população no local.

A peste de 1771 foi a de maior destaque no século XVIII | 

Cólera (1817-1923) – 1 milhão de mortes

A Cólera se disseminou pelo mundo entre os anos de 1817 e 1923 e teve, ao todo, seis pandemias durante esses 106 anos, ocorridas em diferentes localidades do continente asiático.

Os fatores responsáveis por essa doença consistem em excrementos humanos sem tratamento e falta de água potável.

A Cólera gerou seis pandemias em 106 anos e matou 1 milhão de pessoas 

A Terceira Peste (1855) – 12 milhões de mortes

Em 1855, surgiu a terceira pandemia da peste bubônica. Desta vez, ocorreu em Yunnan, na China, ao longo do quinto ano do Imperador Xianfeng, na dinastia Qing. Na sequência, foi espalhada pelo mundo inteiro.

Ao todo, a doença matou 12 milhões nesta nova fase. Mas o impacto maior foi na Índia, onde 10 milhões perderam a vida. Esta foi a sexta pandemia mais letal da história.

Febre Amarela (fim dos anos 1800) – 100-500 mil mortes

Ao longo do final do século XIX, a Febre Amarela gerou várias epidemias tanto na América quanto na Europa. Os cientistas não sabem a sua formação exata, mas estimam que a origem veio da África e a transmissão teria ocorrido de primatas para humanos.

A chegada do vírus se deu, também conforme os pesquisadores, quando os barcos de comércio de escravos trouxeram ao continente americano o patógeno e o seu mosquito transmissor – Aedes Aegypti.

O mosquito Aedes Aegypti é o transmissor da Febre Amarela 

Gripe Russa (1889-1890) – 1 milhão de mortes

A Gripe Russa teve origem no país no ano de 1889 e vitimou um total de 1 milhão de pessoas na época.

Segundo os especialistas no campo da medicina, acredita-se ser o vírus H2N2. As estimativas indicam que sua ocorrência partiu de aves.

Gripe Espanhola (1918-1919) – 40-50 milhões de mortes

A terceira pandemia mais letal da história foi a da Gripe Espanhola. Ela surgiu em meio à Primeira Guerra Mundial e era causada pelo mesmo vírus da gripe H1N1. Estudos indicam que cerca de 500 milhões de pessoas teriam se contaminado na época – aproximadamente 27% da população mundial.

Apesar do nome, ela não teria surgido na Espanha, e sim na China ou nos Estados Unidos. A classificação ocorreu devido ao fato de o país europeu ter sido o primeiro a noticiar a doença – como o território não estava em guerra, a imprensa ficou livre para informar devidamente.

Uma curiosidade é que o período havia sido o último em que o Brasil aplicou uma quarentena a nível nacional, com o fechamento de escolas e comércio. Essa gripe começou a circular no território nacional em setembro de 1918.

A Gripe Espanhola surgiu em meio à Primeira Guerra Mundial e provocou uma quarentena rigorosa no Brasil 

Gripe Asiática (1957-1958) – 1,1 milhão de mortes

A Gripe Asiática se assemelha à russa em alguns aspectos. Durante sua epidemia, entre 1957 e 1958, ela matou uma quantidade de pessoas similar – 1,1 milhão – na China.

Ela também teria surgido do vírus H2N2 – uma variação do Influenza A, com origem aviária – e, segundo alguns autores, a sua origem veio da mutação em patos selvagens com cepa humana existente de forma prévia.

Gripe de Hong Kong (1968-1970) – 1 milhão de mortes

A terceira pandemia de gripe no século XX aconteceu em Hong Kong. O local foi onde surgiu uma variação na hemaglutinina do vírus Influenza A, o que gerou o subtipo H3N2. Ela se espalhou ao mundo meses depois.

A doença se disseminou primeiro ao Oriente Médio e ficou por um tempo na região, até alcançar a Europa. Nos Estados Unidos, o início se deu na Califórnia, de onde passou para todos os estados do país e foi onde ocorreram mais óbitos.

HIV/Aids (1981-presente) – 25-35 milhões de mortes

Estima-se que o vírus HIV tenha origem de primatas na África central e ocidental, no começo do século XX. Ele é o causador da Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) e já vitimou entre 25 e 35 milhões de indivíduos na história.

O patógeno circula desde 1981 e ainda há quase 40 milhões de pessoas infectadas no mundo inteiro atualmente. 61% das novas infecções aconteceriam da África subsaariana. Antes mais letal, atualmente as pessoas contaminadas podem viver sem a manifestação do vírus devido aos avanços na ciência.

O HIV já fez mais de 25 milhões de mortes no mundo 

SARS (2002-2003) – 770 mortes

Primeira doença originária de um coronavírus, a SARS (Síndrome Respiratória Aguda Severa) foi identificada no final de 2002, na província chinesa de Guangdong. A sua origem ainda não é confirmada, mas a tese mais defendida consiste no surgimento de morcegos, com transmissão para gatos e, por último, aos humanos.

Ela contaminou mais de 8 mil pessoas e vitimou cerca de 770 infectados – uma taxa de mortalidade de 9,63%. A sua disseminação ocorreu em 26 países de continentes como América do Norte, América do Sul, Europa e Ásia, até ser contida em julho de 2003.

Gripe Suína (2009-2010) – 200 mil mortes

A famosa Gripe Suína consistiu em uma segunda pandemia gerada pelo vírus H1N1 – o mesmo da Gripe Espanhola. A doença se iniciou em porcos no México e, desde então, foi disseminada para humanos.

O aparecimento da doença teria ocorrido na combinação dos vírus das gripes aviária, suína e humana com um vírus da gripe suína euroasiática – fatores que levaram ao seu nome. Algo entre 11% e 21% da população mundial teria se infectado com o patógeno e contraído a doença.

A segunda pandemia do vírus H1N1 ficou conhecida como Gripe Suína 

Ebola (2014-2016) – 11 mil mortes

O Ebola consiste em uma febre hemorrágica gerada pelo ebolavirus. Acredita-se que tenha surgido de animais selvagens e vitimado 11 mil indivíduos, no período entre 2014 e 2016 – apesar de os primeiros casos confirmados terem sido registrados em dezembro de 2013.

Com o início em Guiné, na África, a doença chegou na Libéria e Serra Leoa, onde gerou os maiores danos. Sua taxa de mortalidade gira em torno de 57% e 59%.

O Ebola assolou a África entre 2014 e 2016 

MERS (2015-presente) – 850 mortes

Segunda doença proveniente de coronavírus, o MERS (Síndrome Respiratória do Oriente Médio) teve seu primeiro relato na Arábia Saudita, em 2012. Sua transmissão também se deu de forma zoonótica – de animais para humanos.

Cerca de 850 pessoas morreram, em um total aproximado de 2,5 mil contaminados. Ela atingiu 27 países de Europa, África, Ásia e América do Norte e teve como maior característica a alta taxa de letalidade – acima dos 30%.

Covid-19 (2019-presente) – mais de 90 mil mortes (09/04/2020)

A Covid-19 ainda não possui dados finalizados, uma vez que a pandemia ainda ocorre no mundo e não tem prazo para se findar. Até o momento – dia 9 de abril de 2020 –, a patologia causada pelo novo coronavírus já teve mais de 1,5 milhão de casos confirmados e um número superior a 90 mil vítimas fatais.

Somente em 43 dias que chegou ao Brasil, a doença já fez mais vítimas fatais (800 falecimentos) que a dengue (782), H1N1 (796) e sarampo (15) durante todo o ano passado.

Apesar de não ter origem definida, os pesquisadores acreditam que o novo coronavírus também tenha surgido de morcegos. No entanto, diferente das duas últimas pandemias do grupo viral, a Covid-19 possui uma transmissibilidade maior que SARS e MERS e uma taxa de letalidade menor – o que não deixa de gerar números grandes, devido ao total de infectados.

O coronavírus já fez mais vítimas fatais em 43 dias no Brasil que dengue, H1N1 e sarampo em todo o ano de 2019 


Urbanização e globalização

A chamada “força motriz” das pandemias consistiria no aumento das conexões e interações globais, ocorridas ao longo da história. No começo, eram pequenas tribos de caça e coleta que faziam o processo de movimentação. Hoje, são as grandes metrópoles as quais concentram pessoas de diferentes países.

O aumento da urbanização pressionou ainda mais os moradores dos ambientes rurais para as cidades. A globalização fez com que o mundo fosse conectado de diversas formas. Entre elas, está a grande circulação de pessoas de um país a outro para fins profissionais, turísticos ou até familiares – o que facilita que uma doença “do outro lado do mundo” chegue até locais mais distantes.

Para completar, o tráfego aéreo de passageiros praticamente dobrou durante a última década. A nível “macro”, todas as mudanças trazem mais impacto na hora de propagar doenças infecciosas.

Quarentena como proteção

A utilização da quarentena como forma prevenir o avanço maior das pandemias vem desde o século XIV. Na época, a prática surgiu para proteger as cidades costeiras das pestes da época.

O nome veio das autoridades portuárias de Veneza, na Itália, que fez os navios ficarem ancorados por 40 dias antes do desembarque – quaranta giorni, em italiano.

A internet tem sido prática constante no mundo neste período de distanciamento social. Com as redes sociais e as ferramentas de videoconferências, as pessoas previnem o avanço da pandemia sem perder as conexões entre si.

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