Você ingere sem saber e adoece sem querer - Bisfenol A

Você ingere sem saber e adoece sem querer - Bisfenol A

19/12/2018
Ivan Brandão

Você tem o hábito de tomar café ou chá no copinho plástico? Armazenar os seus alimentos em utensílios de plástico e posteriormente aquecê-los no micro-ondas? Cuidado!    

A praticidade de se utilizar recipientes plásticos é muito tentadora no nosso cotidiano, conseguimos diversificar a sua utilização, as formas mais comuns são: armazenagem de alimentos para transporte de refeições, comportar bebidas, entre outros.

Com o decorrer do nosso dia, consideramos esses materiais inofensivos, fáceis de manusear e leve. Essas características são muito atrativas para substituir o vidro (quebrável e pesado). No entanto, no âmbito da saúde não é considerado a melhor opção segundo inúmeros estudos científicos da Harvard School of Public Health (HSPH).

O plástico e o revestimento interno de embalagens de comidas enlatadas e bebidas, exclusivamente quanto aquecido, liberam uma substância conhecida como Bisfenol A (BPA). O BPA é amplamente utilizado na indústria por conferir maior flexibilidade, resistência, estabilidade e efeito antioxidante. Por esse motivo, ele é encontrado em inúmeras embalagens retornáveis de água, utilizado na produção de plásticos destinados ao contato direto com alimento, incluindo também embalagens plásticas, utensílios de cozinha, revestimentos internos de latas contendo produto alimentício.

O BPA tem sido amplamente pesquisado por seus potenciais efeitos nocivos para a saúde humana e animal. Acredita-se que o bisfenol A possa desencadear inúmeras alterações biológicas devido a sua característica de desrregulador endócrino. De uma forma resumida e fácil de compreender, os desreguladores endócrinos podem interferir no mínimo de três formas possíveis: imitando a atividade natural do hormônio, como a testosterona ou o estrogênio, gerando reações químicas (figura 1); promovendo bloqueio nos recptores das células e impedindo a ação dos hormônios naturais; ou prejudicar a síntese, o metabolismo, o transporte, a excreção e o nível de concentração de hormônios naturais.

Figura 1: Desreguladores endócrinos imitando a atividade natural do hormônio.

Fonte: Brandão (2018).

Existem várias vias de exposição humana a esta substância, tais como oral, por inalação e transdérmica. As principais fontes de exposição ao BPA incluem embalagem de alimentos e poeira, materiais dentários, equipamentos de saúde, papel térmico, brinquedos e artigos para crianças e bebês. O BPA é metabolizado no fígado para formar o glucuronídeo bisfenol A e, principalmente, nessa forma é excretado com urina.

O BPA demonstrou desempenhar um papel na patogênese de vários distúrbios endócrinos, incluindo infertilidade feminina e masculina, puberdade precoce, tumores dependentes de hormônios, como câncer de mama e de próstata e vários distúrbios metabólicos, incluindo a síndrome dos ovários policísticos (SOP) e o Diabetes Mellitus tipo 2.

Devido à constante exposição diária e sua tendência à bioacumulação, o BPA parece exigir atenção especial, como o biomonitoramento. Esta observação deve incluir testes clínicos de concentração de BPA na urina.

Em estudo meta-analítico realizado pelo cientista Hwang et al.(2018) no Department of Epidemiology and Health Promotion utilizando artigos científicos publicados entre 1980 e 2018, com levantamento amostral de 41.320 indivíduos, mostrou-se uma associação positiva com a concentração de Bisfenol A na urina associada ao risco de Diabetes Mellitus tipo 2.

 A bioacumulação desse composto no organismo favorece a ocorrência de sintomas amplamente ignorados ou não associados à alimentação, tais como sonolência, cansaço, dores de cabeça constante, agressividade ou hiperatividade, maturação sexual precoce e alteração no crescimento infantil.

O que fazer?

Então fica o alerta. Essa é a super dica para você evitar a exposição e os riscos desnecessários. O Instituto Nacional de Ciências da Saúde Ambiental recomenda os passos a seguir:

Não aquecer embalagens no que sejam feitas com plástico policarbonato no micro-ondas;

Reduzir o consumo de enlatados;

Utilizar mamadeiras e recipientes para alimentação infantil com o selo BPA free;

Armazenar alimentos, especialmente ainda quentes, em recipientes de vidro, porcelana ou aço inox. Evite deixar sua garrafinha ou copinho de água do seu filho dentro do carro exposto ao calor;

Evitar comprar recipientes plásticos feitos com BPA;

Para identificar se o produto tem ou não a substância, atente-se a imagem abaixo:

Quadro: Símbolos de identificação dos materiais plásticos e exemplos de aplicação na indústria alimentícia.

Fonte: Adaptado de Fabris et al. (2006, p.63-64) e de Coltro et al. (2008, p. 3).

Onde mora o perigo? Afinal qual a relação de um simples número com a periculosidade que um material plástico oferece de risco para a nossa saúde?

A numeração é referencia à origem do material, a classificação 7 é relacionada às embalagens de Policarbonato, feitas a partir da substância Bisfenol A (BPA).

Bisfenol A e outros

ATENÇÃO: Faça a melhor escolha na hora de selecionar o tipo de embalagem para seus alimentos.